Lucélia
Moreira Guedes de Souza
Enquanto oralistas e
gestualistas discutem a aceitação desta ou daquela língua, as pessoas com
surdez (PS) não têm o seu potencial individual e coletivo estimulado e
desenvolvido sendo subjugados a descontextualização social.
No Brasil, a nova política
da Educação Especial na perspectiva inclusiva é promissora tanto no ambiente
escolar, quanto nas práticas sociais, gerando algumas questões e desafios para
serem discutidos. Muitas propostas precisam ser revistas no espaço escolar. Com
a nova Política Nacional de Educação Especial a escola não pode negligenciar o
potencial e as capacidades que a pessoas com surdez possui. Por mais diferentes
que os seres humanos sejam, nos igualamos na convivência, nas relações, nas
interações. Damázio e Ferreira afirmam que a pessoa com surdez, se estimulada e
desenvolvida, tornar-se-á um sujeito capaz, produtivo e constituído de várias
linguagens, com potencial “(...) para adquirir e desenvolver não somente os processos
visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos e, se
desejar, também falar” (2010, p. 47). O foco do problema da educação dessas
pessoas não está centrado nesta ou naquela língua, mas também, segundo os
autores está “(...) na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas”
(2010, p. 47). Tornando-se necessário pensar e construir uma prática pedagógica
que se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez,
respeitando suas singularidades e diferenças.
Nesta tendência
multicultural surge um campo fértil para a educação bilíngue, legitimada pelo
Decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005 que preconiza
a abordagem bilíngue na formação escolar da pessoa com surdez em que a LIBRAS e
a Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, ocorrem de forma
simultânea no ambiente escolar. Para viabilizar esta proposta o Atendimento Educacional
Especializado (AEE) para PS vem disponibilizar serviços e recursos para complementar
o trabalho da classe comum, visando sua autonomia e independência na escola e
fora dela. O AEE tem como função interligar essas línguas com base em contextos
significativos, para isso os autores, Damázio e Ferreira, propõem a aplicação
da “(...) metodologia vivencial, que leva o aluno a aprender a aprender” (2010,
p. 50). Para garantir este acesso o AEE é idealizado em “três momentos didático-pedagógicos,
que são: Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento
Educacional Especializado para o Ensino da Língua Portuguesa; Atendimento
Educacional Especializado para o Ensino de Libras” (DAMÁZIO e FERREIRA, 2010,
p. 50). Onde o AEE em LIBRAS consiste na antecipação do ensino, a partir da
Libras, dos conteúdos curriculares oficial; O AEE para o ensino da língua
portuguesa é um momento didático para o ensino das especificidades da Língua Portuguesa;
e o AEE para o ensino de LIBRAS é realizado pelo professor e/ ou instrutor de
LIBRAS (preferencialmente por profissionais com surdez) para o aprimoramento do
conhecimento que o aluno com surdez tem a respeito da língua de sinais.
REFERÊNCIA:
DAMÁZIO,
Mirlene F. M.; FERREIRA, Josimário de P. Educação
Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em
Construção. In: Revista Inclusão:
R. Educ. esp., Brasília, MEC, v. 5, n. 1, jan/jul. 2010 (p. 40-45).
Imagem.
Disponível em: http://www.google.com.br/imgres?biw=1366&bih=639&tbm=isch&tbnid=dHDs8N3KDQ5JRM%3A&imgrefurl=http%3A%2F%2Feducandosurdo.blogspot.com%2F2012%2F11%2Fambiente-computacional-para-ensino-e.html&docid=_Uupsax0KizToM&imgurl=http%3A%2F%2F1.bp.blogspot.com%2F-mH0DEaaTwyA%2FT_7sBlZSVnI%2FAAAAAAAAAJ8%2FX-Zq-UjAtuY%2Fs300%2FEscolaBil%252525C3%252525ADngue%2525255B1%2525255D.jpg&w=300&h=225&ei=8W0XU5PpMs_ukQfuvICIBg&zoom=1&ved=0CP4BEIQcMDc&iact=rc&dur=1465&page=3&start=41&ndsp=23.
Acesso em 05 de março de 2014.

A proposta bilingue nos mostra através de pesquisas que e a que mais se adequada as necessidades da pessoa com surdez, pois oportuniza uma comunicação mais ampliada de mundo, favorecendo assim um pleno desenvolvimento acadêmico e para a vida.
ResponderExcluirRealmente Lucélia a proposta bilingue é uma oportunidade de realizar o processo ensino aprendizagem de uma forma holistica, onde professor e aluno devem estar em consonância para este processo, tem o AEE que ajudará a melhorar as potencialidades desse aluno.
ResponderExcluirCom relação aos três momentos didáticos-pedagógicos para a Pessoa com Surdez com campo de atuação do AEE para atender a clientela específica. Podemos enfatizar que na prática em nossa cidde, é ainda um grande desafio a concretização dos três momentos. No entanto, devemos criar alternativas buscarmos a superação a fim de atender as reais necessidades dos alunos com surdez inclusos no ensino comum.
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