quarta-feira, 5 de março de 2014

REFLETINDO SOBRE A EDUCAÇÃO DAS PESSOAS COM SURDEZ



Lucélia Moreira Guedes de Souza
Enquanto oralistas e gestualistas discutem a aceitação desta ou daquela língua, as pessoas com surdez (PS) não têm o seu potencial individual e coletivo estimulado e desenvolvido sendo subjugados a descontextualização social. 
No Brasil, a nova política da Educação Especial na perspectiva inclusiva é promissora tanto no ambiente escolar, quanto nas práticas sociais, gerando algumas questões e desafios para serem discutidos. Muitas propostas precisam ser revistas no espaço escolar. Com a nova Política Nacional de Educação Especial a escola não pode negligenciar o potencial e as capacidades que a pessoas com surdez possui. Por mais diferentes que os seres humanos sejam, nos igualamos na convivência, nas relações, nas interações. Damázio e Ferreira afirmam que a pessoa com surdez, se estimulada e desenvolvida, tornar-se-á um sujeito capaz, produtivo e constituído de várias linguagens, com potencial “(...) para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus entornos e, se desejar, também falar” (2010, p. 47). O foco do problema da educação dessas pessoas não está centrado nesta ou naquela língua, mas também, segundo os autores está “(...) na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas” (2010, p. 47). Tornando-se necessário pensar e construir uma prática pedagógica que se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez, respeitando suas singularidades e diferenças. 


Nesta tendência multicultural surge um campo fértil para a educação bilíngue, legitimada pelo Decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005 que   preconiza a abordagem bilíngue na formação escolar da pessoa com surdez em que a LIBRAS e a Língua Portuguesa, preferencialmente na modalidade escrita, ocorrem de forma simultânea no ambiente escolar. Para viabilizar esta proposta o Atendimento Educacional Especializado (AEE) para PS vem disponibilizar serviços e recursos para complementar o trabalho da classe comum, visando sua autonomia e independência na escola e fora dela. O AEE tem como função interligar essas línguas com base em contextos significativos, para isso os autores, Damázio e Ferreira, propõem a aplicação da “(...) metodologia vivencial, que leva o aluno a aprender a aprender” (2010, p. 50). Para garantir este acesso o AEE é idealizado em “três momentos didático-pedagógicos, que são: Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional Especializado para o Ensino da Língua Portuguesa; Atendimento Educacional Especializado para o Ensino de Libras” (DAMÁZIO e FERREIRA, 2010, p. 50). Onde o AEE em LIBRAS consiste na antecipação do ensino, a partir da Libras, dos conteúdos curriculares oficial; O AEE para o ensino da língua portuguesa é um momento didático para o ensino das especificidades da Língua Portuguesa; e o AEE para o ensino de LIBRAS é realizado pelo professor e/ ou instrutor de LIBRAS (preferencialmente por profissionais com surdez) para o aprimoramento do conhecimento que o aluno com surdez tem a respeito da língua de sinais.  

REFERÊNCIA:
DAMÁZIO, Mirlene F. M.; FERREIRA, Josimário de P. Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção. In: Revista Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, MEC, v. 5, n. 1, jan/jul. 2010 (p. 40-45).

Imagem. Disponível em:  http://www.google.com.br/imgres?biw=1366&bih=639&tbm=isch&tbnid=dHDs8N3KDQ5JRM%3A&imgrefurl=http%3A%2F%2Feducandosurdo.blogspot.com%2F2012%2F11%2Fambiente-computacional-para-ensino-e.html&docid=_Uupsax0KizToM&imgurl=http%3A%2F%2F1.bp.blogspot.com%2F-mH0DEaaTwyA%2FT_7sBlZSVnI%2FAAAAAAAAAJ8%2FX-Zq-UjAtuY%2Fs300%2FEscolaBil%252525C3%252525ADngue%2525255B1%2525255D.jpg&w=300&h=225&ei=8W0XU5PpMs_ukQfuvICIBg&zoom=1&ved=0CP4BEIQcMDc&iact=rc&dur=1465&page=3&start=41&ndsp=23. Acesso em 05 de março de 2014.